TROCA-TROCA DA VITÓRIA

“Casamento” entre Scarpa e Veiga mantém Palmeiras na vice-liderança do Brasileirão

Meus amigos.

Na mais do que centenária história palmeirense, inúmeras foram as duplas que se eternizaram na memória da torcida. Caetano e Heitor nos anos 20; Romeu Pellicciari e Lara nos anos 30; Echevarrietta e Lima nos anos 40; Julinho Botelho e Chinesinho nos anos 50; Servílio e Tupãzinho nos anos 60; Dudu e Ademir da Guia, Luís Pereira e Alfredo Mostarda e Leivinha e César Maluco nos anos 70; e Edmundo e Evair, nos anos 90, são apenas alguns dos vários exemplos de duetos que se tornaram responsáveis diretos por várias conquistas do nosso time.

Sem querer, jamais, compará-los aos inesquecíveis craques citados no parágrafo acima (eu não seria louco o suficiente), eis que Gustavo Scarpa e Raphael Veiga começam a dar esperanças de que mais uma parceria poderá se tornar vitoriosa no Palmeiras. Depois de um bom tempo e também de várias boas atuações, ambos parecem ter convencido Abel Ferreira de que, juntos, o Verdão fica ainda mais forte do que quando joga apenas um ou o outro.

Na goleada por 4 a 0 desta noite sobre o Atlético/GO, por exemplo, eles foram os maestros de mais uma ótima exibição da equipe. Scarpa, é verdade, brilhou mais do que Veiga, tanto por ter sido o autor de dois passes que terminaram em gols (o primeiro deles, por sinal, do próprio companheiro) como também por ter marcado o seu – de pênalti. Aliás, foi exatamente neste ponto que o “casamento” de ambos se tornou mais evidente: melhor cobrador (disparado) da equipe, Veiga cedeu sua vez ao colega de time para que também ele pudesse ter a chance de balançar as redes. Isso só acontece quando uma equipe está unida e, principalmente, quando os integrantes de uma dupla não se preocupam em brilhar mais do que o outro, mas sim em brilhar ao lado do outro.

É quase certo de que Scarpa e Veiga não atingirão o mesmo patamar das outras parcerias que lembrei, até porque o futebol atual não permite que jogadores deste nível permaneçam muitos anos na mesma equipe. Mas também não é proibido sonhar que este duo possa nos garantir pelo menos uma conquista.

Alguém aí pensou no próximo dia 27?

O MELHOR: GUSTAVO SCARPA

Eis aqui um exemplo de como deve se portar um jogador de futebol profissional no que diz respeito à forma como joga – pensando mais no time do que em si próprio. Certamente é por isso – e, claro, também à sua qualidade – que ele vem se destacando como o melhor “garçom” do futebol brasileiro nesta temporada. Hoje, Scarpa foi o grande maestro de mais uma vitória palmeirense – e nem por isso perdeu sua humildade (nota 8,5).

MERECE DESTAQUE: RAPHAEL VEIGA

Além de viver a melhor fase de sua carreira, o amigo aí de cima deu uma prova irrefutável de que é muito mais um jogador de grupo do que alguém que se deixa levar pelo estrelismo. Poderia, se quisesse, ter marcado seu segundo gol na noite, mas preferiu ceder um direito que conquistou pela qualidade que possui e permitir que um companheiro cobrasse um pênalti. E o detalhe é que este companheiro, até bem pouco tempo, disputava com ele um lugar no time (nota 7,5).

PALMAS PRA ELE: RONY

Depois de se contundir e demorar demais para apresentar um bom futebol assim que se recuperou, eis que Rony parece estar voltando aos seus melhores dias. Nesta noite, os quase 20 mil palmeirenses que foram à Arena Palestra Itália viram um jogador que, além de não desistir de nenhuma bola (o que é uma de suas características), ainda por cima fez um belo gol de cabeça e deu um passe perfeito para Scarpa, que infelizmente se atrapalhou na hora da conclusão (nota 7).

O PIOR: LUIZ ADRIANO

Eu gostaria de saber qual é a desse cara. Ele entra aos  25 do segundo tempo, seu time está vencendo por 3 a 0 e a vitória está mais do que garantida. Ou seja: o cenário é ideal para qualquer centroavante com um mínimo de qualidade (e ele a tem, é indiscutível) fazer a festa. No entanto, Luiz Adriano se escondeu da bola, deixou bem claro que não está nem aí para o time e deu um claro recado ao nosso treinador: não está satisfeito com a reserva. Ou seja: o maluco acredita piamente que tem bola para ser titular neste momento. Começo a achar que ele é bem melhor xingando e acenando para a torcida do que jogando futebol (nota 4).

Os demais jogadores ficam com as seguintes avaliações:

Kuscevic, Luan e Breno Lopes – nota 6,5
Weverton, Marcos Rocha, Patrick de Paula e Dudunota 6
Victor Luís e Danilo – nota 5,5
Renan e Zé Rafael - nota 5
Maykenota 4,5

O TREINADOR: ABEL FERREIRA

As sete partidas de invencibilidade e as seis vitórias seguidas estão fazendo bem ao português. Além, claro, de deixá-lo bem mais calmo à beira do gramado e um pouco menos arrogante nas entrevistas pós-jogo, também parece fazer com que pense bem melhor na hora de escalar o time titular e, principalmente, nos momentos de promover as alterações.

Hoje, por exemplo, foi inteligente ao optar por Kuscevic e Vítor Luís nos lugares de Gustavo Gómez e Piquerez, mesmo podendo mandar a campo Renan – que é melhor do que os dois escolhidos em ambas as posições. Ao agir desta forma, impediu que os dois reservas se sentissem desprestigiados, algo muito bom em uma reta final de campeonato e às vésperas de uma grande decisão – afinal, nunca se sabe quando se vai precisar de um jogador que não vem jogando.

Outro ponto positivo de Abel Ferreira foi a maneira como encarou a partida. Ciente de que o adversário era inferior, mandou o time ir ao ataque com sangue nos olhos desde os primeiros minutos. Poderia ter saído atrás do placar? Sim, pois os caras perderam um gol feito logo aos 3 minutos de jogo. Poderia ter levado o empate? Sim, porque o Atlético/GO desperdiçou uma ótima chance com Zé Roberto cabeceando por cima logo depois de Veiga abrir o placar. Mas mesmo que ambas as situações tivessem se concretizado, estou certo de que o Palmeiras teria forças para reverter o placar, pois acima de tudo o time estava muito bem montado taticamente e ciente de como deveria jogar.

Nas substituições, ponto reconhecidamente fraco do nosso treinador, foi de novo muito bem. Sacou do time os dois principais nomes do momento ainda aos 20 da etapa final, evitando desta forma desgastá-los sem necessidade, já que o placar apontava 3 a 0 para nós. Também percebeu que Luan apresentava leves sinais de desgaste e o trocou por Renan, impedindo uma possível contusão. E até mesmo quando mandou a campo Mayke, que está visivelmente fora de ritmo, o técnico acertou, pois como sabemos ele – ou então Gabriel Menino – será o titular na final da Libertadores.

Por fim, o único senão de Abel no jogo acabou não sendo responsabilidade dele. Afinal, ninguém poderia imaginar que Luiz Adriano entraria em campo aos 25 do segundo tempo torcendo para que o árbitro encerrasse a partida aos 26 (nota 7).

CRÉDITO FOTOS: CESAR GRECO/AGÊNCIA PALMEIRAS

8 Responses to TROCA-TROCA DA VITÓRIA

  1. roberto alfano

    Boa tarde caro Trevisan, muito boa sua crônica, lembrando a centenária história do Palmeiras.

    Gostaria de parabenizar todo o Time, pela boa apresentação neste jogo, e principalmente Scarpa, Veiga e Dudu, o futebol de hoje principalmente tem que ter humildade e muito coletivo, assim podemos brigar por Título.

    Abraço.

    • Márcio Trevisan

      Obrigado, Alfano.

      E eu citei apenas algumas duplas de sucesso. Se citasse todas, estaria escrevendo até agora.

      Abs.

  2. Leonardo Madureira

    Bom dia Márcio. Lembra que um tempo atrás perguntei pra você porque diabos não poderiam jogar juntos dudu+veiga+scarpa? Ainda bem que o Abel resolveu experimentar (ou talvez corrigiu algum defeito que impedia os três juntos). To confiante. Pena que o Galo também só tá ganhando, impedindo qualquer sonho no Brasileirão. Abraços.

    • Márcio Trevisan

      Léo: não se pode ganhar tudo.

      Se o Palmeiras de Ademir da Guia não ganhava tudo, não seria o Palmeiras do Rony que ganharia.

      Por isso, se conseguirmos o tri da Libertadores (é muito, mas muito difícil, porém não impossível), tô nem aí para o Atlético/MG ser campeão brasileiro depois de 50 anos.

      Abs.

  3. Caro Trevisan, gostaria de acrescentar um comentário sobre o Luiz Adriano: o cara NÃO tocou na bola durante o período que ficou em campo. Bem, na hora do gol do Breno, a bola foi às redes e voltou na direção dele (L. Adriano) então ele chutou a bola para o meio de campo, foi a única vez que vi o cara relar na bola. Para mim, nota zero pelo jogo e também nota zero ao profissional Luiz Adriano, que precisa ser afastado imediatamente do clube antes que contamine o time.

    • Márcio Trevisan

      Tadeu: vc tocou em um ponto importante.

      Assim como existe o funcionário tóxico, existe também o jogador tóxico.

      O Palmeiras precisa se precaver com este tipo de profissional.

      Abs.

  4. O time está melhorando.
    Finalmente descobri a doença do Luiz Adriano.
    Sindrome imunológica de aversão à bola de futebol.
    Abçs

    • Márcio Trevisan

      Jair: é por aí.

      Graças a Deus que, pelo menos aparentemente, ele é o único do elenco a não estar na mesma vibe.

      Abs.

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