PRO GASTO. MAS MEIO QUE SEM GOSTO.

Palmeiras joga o suficiente – e apenas isso – para vencer na estreia da Copa do Brasil

Meus amigos.

Tenho a mais absoluta certeza de que todos vocês esperavam uma vitória bem mais tranquila nesta noite. Afinal, mesmo atuando fora de casa, é inegável que o Verdão tem um time e um elenco muito superiores ao do CRB/AL, uma equipe nordestina sem quase nenhuma tradição no cenário nacional e que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. Aliás, devo admitir que também acreditava num placar, se não elástico, ao menos mais confortável do que o simplório 1 a 0 que obtivemos no Estádio Rei Pelé.

Ocorre, porém, que muitas vezes quem não vive o dia a dia de um clube de futebol não consegue perceber alguns detalhes que, mesmo pequenos, acabam por ocasionar complicações bem maiores do que teoricamente se encontrariam. Hoje, por exemplo, podemos citar as altas temperatura (27 ºC) e umidade (75%), sempre comuns na lindíssima Maceió/AL, como dois fatores que “jogaram” para o time da casa. É claro que atletas das duas equipes as sentiram, literalmente, na pele, mas também é óbvio que os nossos adversários estão mais acostumados a ambas do que os nossos jogadores.

Outro ponto que merece ser levado em consideração é o gramado. Mais uma vez, é evidente que se ele é alto, o é para os dois times. Mas também é indiscutível que se torna um problema muito maior para o Palmeiras que, como sabemos, tem na velocidade em suas jogadas de contra-ataque sua principal (e, infelizmente, muitas vezes também única) arma ofensiva. Se o campo está fofo, prende a bola e torna o jogo mais lento, certo? Isso, claro, sem que falemos dos cinco desfalques (Weverton, Marcos Rocha, Gustavo Gómez, Viña e Gabriel Menino servindo a seleções nacionais, além de Raphael Veiga e Luiz Adriano, poupados).

Tais situações, porém, não servem como desculpa para o futebol bem mais ou menos que o alviverde jogou nesta estreia de Copa do Brasil. É claro que, apesar de tudo o que disse acima, nosso time poderia ter jogado um pouco mais de bola, pelo menos o suficiente para conseguir um placar um pouco mais amplo e, com isso, entrar em campo na partida decisiva, quarta-feira que vem, na Arena Palestra Itália, com um pouco mais de tranquilidade. E embora tenhamos sido prejudicados pela arbitragem, que erroneamente anulou um gol de Patrick de Paula quase no fim do primeiro tempo, a verdade é que, sobretudo na etapa final, o Verdão torceu para que o mundo acabasse em barranco para poder morrer encostado.

Em síntese, prezado palmeirense: o Palmeiras acabou por encontrar dificuldades demais ao enfrentar um adversário de menos.

SETOR POR SETOR

 A DEFESA

MAYKE (NOTA 7)

Sei que parece mentira, mas o lateral-direito, sobretudo a partir do momento em que se tornou ala-direito,  foi o melhor jogador do nosso time nesta noite. Como não teve a quem marcar, tornou-se ótima opção ofensiva e começou várias jogadas de ataque. Além disso, esteve muito bem nas coberturas. O mesmo, infelizmente, não se pode dizer de Victor Luís, que nem como lateral e nem como ala conseguiu jogar alguma coisa. Péssimo nos cruzamentos e muito mal na marcação, foi o pior da equipe (nota 4). O miolo de zaga não comprometeu e, quando foi preciso, Luan (nota 6) e Renan (nota 5,5) estiveram presentes. Jaílson, escolhido para substituir Weverson, só praticou defesa simples (nota 5).

O MEIO-CAMPO

PATRICK DE PAULA (NOTA 6,5)

Ao contrário do que vinha acontecendo já há algum tempo, hoje o setor intermediário começou com apenas três – e não cinco jogadores. E mesmo que, desta forma, tenha precisado se ater um pouco mais à marcação do que à criação, o garoto aí da foto se destacou bastante, protegendo nossa defesa, desarmando adversários e chegando várias vezes ao ataque – numa delas, após ótima jogada de Bigode, fez um belo gol de fora da área, que por incompetência a arbitragem anulou. Outro que também se destacou, mas apenas na etapa inicial, foi Gustavo Scarpa (nota 6,5), com ótimos lançamentos e cobranças de escanteios. Pena que no segundo tempo caiu muito de rendimento e acabou corretamente substituído. Felipe Melo, por sua vez, se não teve um brilhantismo tecnicamente falando, provou ser útil também na zaga (nota 5,5).

O ATAQUE

WILLIAN BIGODE (NOTA 6,5)

O destaque do setor fica para Willian Bigode que, sobretudo na primeira etapa, não só marcou o gol da vitória como também, um pouco antes, cabeceou uma bola na trave. Mas o ataque palmeirense começou capenga pelo lado direito, pois Lucas Lima aberto pelo setor é certeza de nulidade total. O meia, por sinal, só melhorou, e apenas um pouquinho, quando o esquema voltou a ser o 3-5-2, mas ainda assim novamente teve muito pouca participação no jogo (nota 4,5). De novo escalado como centroavante, Rony não viveu uma grande noite. Tentou várias jogadas, é verdade, teve uma ou duas boas finalizações (como a que resultou no único gol da partida), mas esteve abaixo do que vinha jogando (nota 5).

OS SUPLENTES

WESLEY (NOTA 5,5)

Ele teve apenas 12 minutos para dar ao Palmeiras a velocidade que o time não tivera durante toda a partida. Se dissermos que conseguiu, estaremos exagerando, mas pelo menos o cara da foto acima tentou atingir este objetivo e, por pouco, não fez de cabeça nosso segundo gol. Já Zé Rafael nem deveria ter entrado, mas entrou e não decepcionou, pois compôs bem o meio-campo (nota 5,5). Luiz Adriano (nota 5), Raphael Veiga (nota 5) e Michel (nota 5) não ajudaram muito, mas também não prejudicaram em nada.

O TREINADOR

ABEL FERREIRA (NOTA 5,5)

Nosso técnico, talvez por não contar com Gustavo Gómez, talvez por acreditar em uma partida mais fácil, optou por voltar ao esquema 4-3-3. Até aí, tudo certo, mas o problema é que escolheu um meia – Lucas Lima – para jogar na ponta direita, o que obviamente todos já sabíamos que não daria certo. Assim que percebeu um certo predomínio do CRB/AL, rapidamente retornou ao 3-5-2, recuando Felipe Melo para a zaga. Com isso, liberou Mayke e Victor Luís para o apoio, o que apenas o lateral/ala direito fez, e com competência elogiável. O resultado foram dois gols (um deles muito mais anulado) e o amplo domínio a partir dos 25 minutos de jogo. Na etapa final, errou quando sacou Gustavo Scarpa e colocou Zé Rafael, pois embora o primeiro tivesse caído de rendimento, o segundo não possui as mesmas características ofensivas. Nas demais alterações, acertou em todas, mas poderia ter sacado Lucas Lima já no intervalo e Rony bem antes do que somente aos 38 do segundo tempo.

CRÉDITO FOTOS – CÉSAR GRECO/AG. PALMEIRAS

14 Responses to PRO GASTO. MAS MEIO QUE SEM GOSTO.

  1. Leonardo Madureira

    Boa Tarde Márcio. Primeiro, gostaria de elogiar o novo formato das crônicas. Ficaram ótimas. O que você acha do futuro ataque extremamente técnico do Palmeiras, Rony e Deyverson? Meu Deus…

    • Márcio Trevisan

      Olá, Léo.

      Fico feliz que tenha gostado das mudanças e agradeço o elogio.

      Cara, nem penso na hipótese de que Deyverson voltar a jogar pelo Palmeiras. Se faço isso, tenho pesadelos à noite.

      Abs.

  2. roberto alfano

    Boa tarde caro Trevisan, jogo fácil não existe mais, tanto é que os jogadores correram muito.

    O que fico indignado, é a quantidade de Gols que o Rony perde, porém vale ressaltar seu esforço.

    Agora terá que jogar na próxima partida e buscar a classificação.

    Abraço.

    • Márcio Trevisan

      Olá, Alfano.

      Se o Rony ganhasse por gols perdidos, seria milionário.

      Quanto à classificação, não acredito que teremos problemas. Só uma catástrofe nos tira das oitavas da Copa do Brasil.

      Abs.

  3. Bom dia, Márcio.

    Lendo a sua crônica, opto for focar no penúltimo parágrafo. Nada justifica o pobre futebol apresentado pelo Palmeiras na noite de ontem.

    Há algumas situações que eu não entendo e peço a sua ajuda e a dos colegas que nos leem:

    1. Por que ninguém toma uma atitude em relação ao Lucas Lima? Vai técnico, vem técnico e o cara não joga. O Palmeiras deve ter muito dinheiro a ponto de ficar sustentando um jogador que, nitidamente, não está nem aí para o que está acontecendo. Ele é um dos exemplos da passividade dessa diretoria pamonha que, além de não contratar, não se desfaz de uma série de pernas de pau que compõem o elenco. Esse diretor de futebol do Palmeiras é o mais bunda mole da história recente do Verdão e deveria ser demitido por justa causa, uma vez que é absolutamente incompetente para a função;

    2. Por que o Scarpa sai chutando cadeiras e copos d’água ao ser substituído? É intocável? Se eu fosse o Abel, dava um chá de cadeira nessa cara e não o convocava nem para o banco pelos próximos cinco jogos, deixando claro que, a razão para isso, foi a sua indisciplina. Isso depõe contra o treinador;

    3. O Abel reclama que não treina, mas não vejo nenhuma evolução do Palmeiras. Na boa, é muito papo e xingamento para pouca bola. Todo jogo é uma escalação diferente e um esquema tático diferente. Por incrível que pareça, sinto que ele ainda não encontrou um time para chamar de seu.

    Um abraço.

    Valter

    • Márcio Trevisan

      Valter, salve!

      Vamos às respostas:

      1 – Como poderíamos nos desfazer de Lucas Lima se não aparece nenhum clube interessado? Pode ter certeza de que, se uma proposta chegar, a diretoria se livra dele rapidinho.

      2 – Scarpa se irritou porque jogou muito bem o primeiro tempo. Ele deixou o gramado porque, na etapa final, estava visivelmente desgastado. A irritação do cara é normal, pois nenhum jogador gosta de ser substituído. Mas concordo contigo: sua atitude pegou mal.

      3 – Abel Ferreira tem utilizado a retórica para disfarças a pouca ou quase nenhuma evolução do Palmeiras desde que vencemos a Copa do Brasil. Mas não é verdade que a formação tática é diferente a cada jogo. Ontem, o time começou no 4-3-3 depois de iniciar 14 jogos seguidos no 3-5-2. Já em relação à equipe titular, não te como repetir o time com tantos jogos em sequência.

      Abs.

  4. Bom dia senhores.
    O jogo foi ruim mas tá bom.
    Melhor ganhar sempre. Futebol bonito, infelizmente morreu. Com o dinheiro que corre hoje, ninguém mais pensa em jogar bonito. Muita cobrança.
    Abs e até a próxima!!

  5. António Manara

    Sentado no sofá de sala e fácil fazer críticas. Acho que a CBF deveria exigir gramados de alto padrão para times que disputam os principais campeonatos Brasileiros. Na maiodas vezes vejo verdadeiros pastos que podem ocasionar lesões noa jogadores, além de prejudicar a qualidade do espetáculo.

  6. Esse Lucas Lesma… e o cara ganha para fazer aquilo lá? (hehehe). Caros achei o jogo vergonhoso, me arrependi de não ter ido dormir no final do primeiro tempo. Ah Palmeiras.

    • Márcio Trevisan

      Tadeu: vou defender o Lucas Lima, pelo menos um pouquinho.

      Escalar o cara na ponta direita não dá.

      Abs.

  7. Ótima analise para um joguinho nota 4,5.
    Vitor Luiz é o suprassumo da desilusão !
    No 1º lateral que ele cobrou na partida , ele jogou a bola num local que só tinha 1 jogador adversário.
    Pergunta do post
    Marcio, você que tem informações de dentro do alto escalão do Palmeiras, qual a análise e sensação da Diretoria do Palmeiras sobre as frases dúbias do Abel deixando no ar a vontade de ele retornar pra Europa ?
    Abçs.

    • Márcio Trevisan

      Olá, Jair.

      Obrigado pelo elogio.

      A situação de Abel Ferreira no Palmeiras será tema de uma matéria específica que farei, espero, na próxima semana.

      Aguardo apenas a obtenção de mais algumas informações para colocá-la no ar.

      Abs.

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