CAP. 164 – UM BIÊNIO PARA SE ESQUECER (PARTE I)

Como dissemos no fim do nosso mais recente encontro, assim que terminou a finalíssima do Paulistão de 1986 o Palmeiras começou a enfrentar um novo e longo período de muitas dificuldades dentro de campo. No restante do ano, visivelmente abalado pela perda do título que lhe parecia tão próximo e que colocaria fim ao jejum que já durava 10 anos, a equipe não foi bem no Campeonato Brasileiro: chegou apenas às oitavas-de-final, fase em que foi eliminada pelo Bahia/BA após perder em Salvador/BA por 2 a 0 e vencer no Pacaembu por 1 a 0 perante quase 45 mil torcedores.

Ano novo, vida nova. Certo? Nem sempre. A temporada de 1987 começou repleta de incógnitas para o Verdão. Sem dinheiro em caixa e mesmo após um pífio desempenho em um torneio amistoso no Mato Grosso do Sul, a diretoria resolveu manter a base do ano anterior (saíram apenas o centroavante Edmar e o cabeça-de-área reserva Paulinho) e contratar apenas cinco jogadores para a disputa do Campeonato Paulista. O mais famoso deles, Deley, meia do Fluminense/RJ, ficou mais tempo no DM do que em campo, e no decorrer da disputa os dirigentes trouxeram aquele que, sem dúvida alguma, é um dos piores jogadores de toda a história palmeirense: o centroavante Bizu.

O começo no Paulistão chegou a dar arrepios na torcida: após a vitória na estreia sobre o Noroeste de Bauru/SP por 3 a 1, seguiram-se três empates – com Bandeirante de Birigui/SP, XV de Jaú e Santos – e duas derrotas – para Guarani e São Bento. Tantos maus resultados ocasionaram a demissão de Carbone, substituído por um antigo ídolo da Primeira Academia: Valdemar Carabina.

Logo de cara, o 5º jogador a mais vezes ter vestido a camisa verde e branca (fez 593 partidas) encarou o maior rival. E seu deu bem: vitória por 2 a 0, no Pacaembu, com gols de Edu Manga e do ponta-esquerda Mauro, recém-chegado da Ponte Preta. O êxito mudou os ares no Parque Antártica e o time permaneceu 12 jogos invicto. Graças, principalmente, a um goleiro revelado nas categorias de base e que após empréstimos a Toledo/PR e Londrina/PR chegou para se tornar o novo dono da camisa 1. E seu começo não poderia ter sido melhor: permaneceu 12 jogos sem sofrer um único gol, sendo vencido apenas na 13ª partida e, ironicamente, por um ex-palmeirense: Luís Pereira, então defendendo o Santo André.

Valdemar Carabina foi o responsável por lançar Zetti no gol do Palmeiras

A alegria, porém, demoraria muito pouco: dali em diante, o Palmeiras começou a oscilar muito, chegando a empatar incríveis seis jogos seguidos. Mesmo assim, o time conseguiu uma das vagas nas semifinais, em que foi eliminado pelo São Paulo após um empate sem gols e uma derrota por 3 a 1. Por ironia do destino o terceiro gol, marcado pelo meia Neto, se deu após falha ridícula de Zetti.

Veio o Brasileirão, rebatizado Copa União, torneio organizado pelo Clube dos 13 e que até hoje é motivo de polêmica devido à briga entre Sport/PE (que de fato foi campeão) e Flamengo/RJ (que se julga campeão). Para o Verdão, porém, nenhuma diferença fez, já que a campanha foi apenas regular: 7 vitórias, 2 empates e 6 derrotas nos deixaram, apenas, na 8ª colocação dentre 16 participantes. Nem mesmo a troca de Carabina por Rubens Minelli, exatamente no meio da competição, deu jeito naquele time. Na verdade, a única alegria dos palmeirenses foi a ridícula campanha do Corinthians, que terminou em último lugar – sorte deles que naquele ano o regulamento não previa rebaixamento.

Em nosso próximo encontro, relembraremos a temporada de 1988 que, já adianto, nos foi ainda mais negativa. Fazer o quê?

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