CAP. 161 – UM BUSTO NADA DIVINO

Extasiados, eufóricos, quase insanos.

Desta forma podem ser definidos todos os palmeirenses após a goleada por 3 a 0 sobre o Corinthians/SP, que levou o time à final de um Campeonato Paulista após 10 anos. Tanto quanto a classificação para os dois jogos decisivos, o fato de ter eliminado o maior rival de forma incontestável e após ser literalmente roubado no primeiro jogo semifinal deixava a certeza de que, enfim, o time voltaria a ser campeão após uma longa década de espera.

Mas foi aí que alguém se lembrou de uma antiga lenda, quase um fantasma, que rondava o Parque Antártica. Diziam os que nisso acreditavam que o motivo de tantos anos sem a conquista de um título expressivo tinha uma razão sobrenatural: enquanto não fosse inaugurado nos jardins do clube um busto para Ademir da Guia o Verdão não sairia da fila. Na época, apenas dois jogadores estavam lá homenageados: o zagueiro Junqueira e o polivalente Waldemar Fiúme. Faltava, claro, o do Divino que, sabe-se lá por qual razão, ainda não havia sido erguido.

Foi um desespero. O clube saiu à cata de um artista que topasse criar esta miniestátua ao maior ídolo de toda a história palmeirense, mas que se comprometesse a entregá-la pronta antes da primeira partida final, contra a surpreendente e talentosa Internacional de Limeira/SP. O problema é que a pressa sempre é inimiga da perfeição: por motivos éticos, não relembrarei aqui o nome do escultor, já que o exíguo tempo foi seu principal adversário. Mas o fato é que o tal busto, após pronto, não lembrava em nada as feições do Divino, tanto que em sua inauguração, apenas dois das antes do início da decisão, o pai do craque e ex-zagueiro Domingos da Guia, foi sincero ao olhar para a obra: “Este não é o meu filho”, disse. Já os mais jocosos apelidaram o monumento de “Estátua ao Jogador Desconhecido”.

Nelson Rocco e Ademir da Guia em dezembro de 1992, na inauguração do busto atual, que hoje se encontra nas dependências do clube

Mas não teve jeito: na dúvida se havia ou não uma maldição dos deuses do futebol, o presidente Nélson Tatini Duque e sua diretoria inauguraram o busto de Ademir da Guia e rezaram par que, então, o Palmeiras se livrasse de qualquer fator extracampo que o impedisse de voltar a ser campeão. Como todos nós sabemos, não foi isso o que aconteceu.

E será esta a história que iremos lembrar em nosso próximo encontro. Até lá!

Obs.: o busto ficou nos jardins do Parque Antártica por seis anos, até que foi substituído por outro, muito mais condizente com a figura de Ademir da Guia e criado pelo escultor Nelson Rocco, em dezembro de 1992.

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