CAP. 156 – 1985: O ADEUS AO DEUS DA ZAGA

Todo mundo sabe que Ademir da Guia é o maior ídolo da história do Palmeiras, mas todo mundo sabe, também, que ele não foi o único. E dentre todos os outros tantos e tantos que tanto encanto nos proporcionaram, houve um que encarnou tanto a alma verde e branca que, para sempre, terá um lugar no coração de cada palmeirense, tenha este tido ou não a sorte de ver o quanto encantava quando vestia a nossa camisa: Luís Pereira.

Contudo, este espaço não se dedica à recordação de um jogador específico – algo que, muito em breve, fará parte de nosso site, prometo. Nesta seção relembramos a história do Verdão, que em 1985 viveu talvez sua mais ingrata página justamente envolvendo o melhor zagueiro de toda a história do futebol brasileiro.

Após chegar em 1968 e brilhar na chamada Segunda Academia, Luís Pereira foi vendido ao Atlético de Madrid/ESP em 1975. Na Espanha, continuou exibindo sua categoria e se tornou ídolo dos “colchoneros”, condição da qual até hoje desfruta. Mas chegou a hora de voltar ao seu País, e em 1980 o “Chevrolet”, apelido que o acompanhou por toda a carreira, desembarcou no Flamengo/RJ. Na Gávea não se adaptou e, logo no ano seguinte, voltou à sua casa, ou seja, à nossa casa.

Eram tempos difíceis, como já relembramos nos capítulos anteriores de “Nossa História”, mas ainda assim Luís Pereira não se deixou envolver. Continuou sendo o craque, o líder, o capitão e o mais palmeirense dentre todos os jogadores dos quase sempre fracos times montados pela diretoria. Ao fim da temporada de 1984, terminou também o contrato do jogador com o Verdão, que teria a partir de janeiro do ano seguinte um novo presidente: Nelson Tatini Duque.

Mesmo prometendo investir ao máximo no futebol, o dirigente encontrou um clube com dívidas enormes e sem dinheiro em caixa para grandes contratações. Para piorar, nosso deus da zaga pediu o que era justo para renovar seu vínculo, mas o que era justo não se encaixava na nova política financeira da diretoria. Resultado: após longa negociação, o Palmeiras abriu mão de Luís Pereira, fato que causou a revolta de toda a torcida e reclamações públicas por parte do então treinador, Fefdato, seu ex-companheiro de time. Chevrolet, então, acertou com a Portuguesa de Desportos/SP (isso mesmo, meus amigos: em 1985 a Lusa tinha mais dinheiro do que o Palmeiras…) e, lá, continuou exibindo seu magnífico futebol e só não foi campeão paulista porque a equipe do Canindé foi prejudicada na final pela arbitragem de José Carlos Gomes do Nascimento.

Agora, me responda: sem o “Chevrolet”, o que você acha que aconteceu com o Verdão naquela temporada? Um Brasileirão patético, em que nas dez últimas rodadas perdemos cinco e empatamos outras cinco, e um Paulistão em que não tivemos capacidade sequer de ganhar do XV de Jaú, num Palestra Itália lotado, para irmos às semifinais.

A ingratidão, como se vê, cobra seu preço quase que instantaneamente.

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One Response to CAP. 156 – 1985: O ADEUS AO DEUS DA ZAGA

  1. Marcelo Camargo

    Bom dia, lembro bem destas situações – times horrorosos e não renovação com o Luis Pereira. Mas um fato, não sei se verdadeiro e se como vou relatar, é que a maneira de informar ao nosso “Chevrolet” que não dava para continuar com ele é que foi sofrível.
    Um determinado diretor – acho que com sobrenome Lopes – teria chamado-o e falado em um jogo de “encerramento” de carreira!!!??? E ai como descrito, ele ainda jogou com qualidade e foi vice-campeão.
    Não tínhamos apenas times fracos, mas gente sem competência e sensibilidade na retaguarda.
    Abraço.

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