NA SORTE E NO TALENTO

Verdão não joga bem, mas conta com a qualidade do elenco e com erros do adversário para se manter 100%

Existem duas formas bastante paradoxais e, ao mesmo tempo, igualmente verdadeiras de se analisar o começo do Palmeiras neste Campeonato Paulista.

A primeira é negativa: afinal, foram três jogos contra equipes pequenas, sendo dois na Arena palestra Itália, e em nenhum deles a equipe “sobrou” em campo. Ao contrário: seja devido à condição física ainda um pouco distante da ideal, a condições climáticas desfavoráveis ou mesmo ao excessivo número de prováveis titulares que ainda não jogaram – casos de Edu Dracena, Diogo Barbosa, Moisés e Gustavo Scarpa –, o fato é que o time ainda não apresentou o futebol que dele se espera. Diante de tais fatos, talvez seja, sim, exagero apontar o Verdão como o principal candidato ao título neste ano.

A primeira é positiva: afinal, foram três jogos, três vitórias, seis gols marcados e apenas dois sofridos, números que mantiveram a equipe na liderança isolada do seu grupo e, de quebra, lhe deram a condição de ser única a ter 100% de aproveitamento até aqui. Diante de tais fatos, não é exagero nenhum apontar o Verdão como o principal candidato ao título neste ano.

Fiz todo este preâmbulo (que na linguagem jornalística do passado era chamado de “nariz de cera”) para mostrar a você, amigo palmeirense, que são muitos os mistérios desta paixão chamada futebol. Vejamos, por exemplo, a partida de agora há pouco, em que o Palmeiras conseguiu vencer, de virada, o Red Bull Brasil/SP por 2 a 1. Como salientei no título desta crônica de pós-jogo, tal vitória se deveu a dois fatores essenciais a toda e qualquer equipe: sorte e talento.

Jaílson: mostrando por que é o titular do gol palmeirense

Ganhou o Verdão graças à sorte porque desde o começo do jogo o time campineiro não demonstrou ter medo algum de jogar em nossa casa e diante do maior campeão do Brasil. Formado por vários jogadores experientes e com passagens por grandes equipes (inclusive a nossa), o time muito bem dirigido pelo jovem Ricardo Catalá esteve não uma, mas algumas vezes com a vitória nas mãos. Aliás, só não a conseguiu devido a um erro da arbitragem (o primeiro gol de Thiago Santos foi irregular, já que o cabeça-de-área estava em impedimento) e a outro, muitíssimo mais grave, do meia Rodrigo Andrade, que perdeu um pênalti aos 33 minutos do segundo tempo e, para piorar, ainda por cima foi expulso dois minutos mais tarde.

Ganhou o Verdão graças ao talento porque, de fato, temos um elenco que, disparadamente, é o melhor do País. Nesta noite, Róger Machado optou por poupar três titulares, sendo que um deles havia sido destaque nos dois primeiros jogos – Felipe Melo. E o que aconteceu? Seu substituto, Thiago Santos, marcou os dois gols da equipe.

 Além disso, é inegável a qualidade técnica que Lucas Lima deu ao nosso meio-campo. Com passes e lançamentos quase sempre perfeitos, ele parece disposto a devolver a este setor a magia que nele quase sempre existiu em toda a nossa história. Que me perdoem os que dele não gostam, mas o último jogador a realizar trabalho semelhante foi Valdivia. Outro que merece aplausos é Jaílson. Ok: o cara bateu mal o pênalti, mas ele não apenas defendeu a cobrança como também evitou o gol na sequência do lance. Isso sem contar a ótima defesa que fizera no primeiro tempo.

Por fim, gostaria de falar do nosso treinador. Neste começo de Paulistão, mesmo sabendo do peso que cada possível resultado negativo tem sobre o time, ele não se furta a testar. Hoje, por exemplo, pareceu loucura sacar o centroavante e colocar um meia de armação quando o time ainda empatava o jogo, mas seu objetivo já foi preparar terreno: quando Gustavo Scarpa estiver em condições, jogará ao lado de Lucas Lima, pela direita, exatamente onde hoje atuou Guerra. Não sei se quem deixará o time será Borja, pois isso dependerá muito do seu desempenho, mas mesmo que seja outro o escolhido nosso time já terá atuado no tradicional esquema 4-4-2.

Em síntese, amigo palmeirense: é claro que não ganharemos todos os jogos, mas o mais importante é que este Campeonato Paulista sirva de preparação para as outras três ou, queira Deus, quatro competições que teremos em 2018.

Com toda a certeza, talento não nos faltará. E, ao que parece, sorte também não.

JAÍLSON – 8
EXCELENTE

MAYKE – 5
REGULAR

ANTÔNIO CARLOS – 4,5
RUIM

THIAGO MARTINS – 5,5
SATISFATÓRIO

VICTOR LUÍS – 5
REGULAR

THIAGO SANTOS – 8
EXCELENTE

TCHÊ TCHÊ – 5
REGULAR

LUCAS LIMA – 6,5
MUITO BOM

KENO – 6
BOM

BORJA – 6
  BOM

DUDU – 6
BOM

RÓGER MACHADO – 7
ÓTIMO

BRUNO HENRIQUE – 5,5
SATISFATÓRIO

WILLIAN BIGODE – 6
BOM

GUERRA – 5
REGULAR

Créditos Fotos: César Greco/Agência Palmeiras

14 Responses to NA SORTE E NO TALENTO

  1. Que seja 4 competições fruto de título da Libertadores e não de desclassificação na primeira fase. Coisa que é possível de ocorrer.

    • Márcio Trevisan

      Olá, Tiago.

      O Palmeiras, se Deus quiser, disputará 5 competições neste ano. Vamos contar?

      1 – Paulistão
      2 – Libertadores
      3 – Copa do Brasil
      4 – Brasileirão
      5 – Mundial Interclubes

      Abs.

  2. S.E.PRESIDENTE PRUDENTE

    MARCIO, concordo com tudo o que vc disse. Na minha opinião esse ano estamos muito melhor do que o ano passado, mas o verdadeiro teste sera com a equipe titular em campo e contra os grandes rivais, por enquanto é trino de luxo. Estou admirado com o Borjas, pois ele esta se empenhando demais e espero que desencante de vez. Acho ele meio “durão”, sem tanta habilidade, mas esta se esforçando muito e isso, é digno de elogios. Quanto ao nosso camisa 10, eu era fã do Valdivia, mas o ultimo “10″ verdadeiro que vi no verdão, foi o Alex. Enfim, boa semana pra vc e os seus e domingo tem mais verdão.

    • Márcio Trevisan

      Ildebrando: Borja tem se entregado mais em campo, sobretudo na marcação da saída de bola adversária.

      E isso, é óbvio, é muito bom.

      Mas centroavante precisa fazer gols. E ele terá de fazer.

      Abs.

  3. Roberto Alfano

    Bom dia, valeu pois não se entregou quando estava perdendo e foi buscar, ainda não estão bem mais vão se entrosar logo.

    Temos condições de melhorar com o Elenco que o Palmeiras tem, pois logo começa a Libertadores.

    Abraço.

  4. Júnior Colletti

    Bom dia!

    Independentemente dos dois gols, Thiago Santos é um profissional que admiro. Tem mais tempo de clube do que quaisquer outros volantes; sempre que é acionado corresponde com muita vontade e qualidade; está sempre vibrando com companheiros em momentos de gols; percebe-se que se dá bem e respeita todos os treinadores que tivemos. Que tenha vida longa no Verdão!

    Torço, também, para que Lucas Lima não pare de jogar e/ou evoluir seu futebol caso não venha a ser convocado para a Copa. Realmente, é diferenciado e já dá mostras de estar entrosado com nosso sistema ofensivo. Ressalto, também, as inúmeras vezes em que vem buscar bola para iniciar jogadas de ataque.

    Guerra o pouco que ficou em campo, pelo menos pra mim, foi outro que mostrou mais vontade do que o ano passado e dá sinais de que sua vontade é seguir no Verdão.

    Faltam Moisés e Scarpa. Rapaz, injusto comparar com o time de 96, mas, em nomes e potencial, este elenco tem condições de encantar nossa torcida. Pés no chão! Vamos lá Palmeiras!

    • Márcio Trevisan

      Colletti: caso fique fora da lista final para a Copa do Mundo, é 100% certo de que o rendimento de LL cairá.

      Detalhe: ele tem voltado para buscar a bola porque Tchê Tchê não tem conseguido realizar a ligação entre a defesa e o ataque. Mas o Moisés vai conseguir, pode apostar.

      Abs.

  5. Paulo Eduardo

    Bom dia Márcio e amigos palmeirenses !
    Concordo que o Roger está começando muito bem o trabalho, montando um esquema de jogo e fazendo o rodízio. Observo que tem dois jogadores destoando do time: um na defesa e um no meio de campo. Os demais estão indo bem. Nosso time é forte, imagino quando começarmos a engrenar.
    Forte abraço !

    • Márcio Trevisan

      Paulo: não só a “engrenagem”, mas o fortalecimento da equipe com a entrada dos titulares que ainda não jogaram deixará o Palmeiras muito mais forte.

      Abs.

  6. Antonio Manara

    Bom dia Márcio, me desculpe mas penso estarmos no caminho certo. Nosso elenco se apresentou para a pré temporada no dia 4 de Janeiro, tivemos dois dias para exames médicos e iniciamos nossos treinamentos no dia 6 e entramos em campo para o início do Paulista 12 dias depois ou seja dia 18 de Janeiro e hoje 6 dias depois estamos fazendo nossa terceira partida, segundo em casa Após o início não tivemos tempo algum de fazermos qualquer recuperação dos jogadores e já no Domingo estaremos viajando a Bragança para nossa quarta partida. Me desculpe, mas nenhum ser humano pode suportar essa maratona imposta pela Federação Paulista.

    • Irineu Curtulo

      Bom dia, Márcio! Antonio, bom dia! Coerente sua análise. O rodízio de apenas alguns jogadores – talvez aqueles que não estivessem 100% – é a maneira mais correta de manter a base e introduzir peças mais descansadas fisicamente. Muito diferente do que tivemos no ano passado, onde nosso técnico escalava praticamente um time reserva para poupar jogadores – aparentemente não dando a mínima atenção à tecnologia disponibilizada. Apoio o atual técnico.

    • Márcio Trevisan

      Olá, Manara.

      Não há razão alguma de você se desculpar. Até porque não discordamos em nada.

      Eu apenas mostrei a vocês que este começo de Paulistão do Palmeiras pode ser analisado de duas formas distintas.

      Abs.

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