CAP. 48: 1933 – COMO PODERÍAMOS ESQUECER (PARTE II)

Dando sequência à lembrança de tão histórico e feliz ano, desta vez recordaremos outro fato importantíssimo em nossa história: a transformação do Campo do Parque Antarctica no Estádio do Parque Antarctica.

Desde que comprara o local, em 1920, o Palestra Itália vivia num dilema: reformar o campo de jogo que lá já existia e o transformar num local à altura dos sonhos ou, então, manter aquele gramado apenas para os treinamentos e construir noutro lugar da Cidade um novíssimo estádio?

Durante anos, conselheiros e associados defenderam com ardor ambas as ideias, até que no fim dos anos 20, mais especificamente em 1928, decidiu-se pelas duas coisas: o clube construiria, sim, um novo estádio, mas aproveitaria as instalações já existentes em seus domínios.

Cinco anos mais tarde, estava pronto o novíssimo Estádio do Parque Antarctica, que entre as novidades apresentou a geral toda em cimento armado, as arquibancadas de madeira reforçadas com vigas metálicas – algo que, é claro, aumentou a segurança do público – e, também, os alambrados, até então inexistentes no futebol brasileiro. Diante de tamanha modernização, nosso estádio passou a ser o mais importante do Brasil, superando o de São Januário, no Rio de Janeiro/RJ, status que somente perderia sete anos mais tarde, quando foi inaugurado o Pacaembu.

Arquibancadas do antigo Palestra Itália em construção

Aproveitando a disputa do primeiro Torneio Rio-São Paulo da história, a diretoria palestrina promoveu uma grande festa naquele 13 de agosto de 1933. Era dia de jogo contra o Bangu/RJ e, claro, o novíssimo Parque Antarctica ficou superlotado. E os torcedores alviverdes que lá estiveram não se arrependeram, pois assistiram a uma impiedosa goleada:6 a0. Um dado curioso da escalação do Bangu/RJ é que dois de seus jogadores, Médio e Ladislau, eram irmãos de Domingos da Guia e, portanto, viriam a ser tios de Ademir da Guia, que nasceria nove anos depois.

Confira abaixo os dados disponíveis da ficha técnica desta histórica goleada. 

Competição: Torneio Rio-São Paulo/1933
Jogo: Palestra Itália 6 x 0 Bangu/RJ

Data: 13/08/1933 – Horário: 16h00
Local: Estádio do Parque Antarctica, em São Paulo/SP
Árbitro: Haroldo Dias da Motta/SP
Gols: Gabardo (2) e Avelino no primeiro tempo; Romeu Pellicciari (2) e Avelino na etapa final.

Equipes 

Nascimento; Carnera e Junqueira; Tunga, Dula (Zico) e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu Pellicciari, Lara e Armandinho.
Técnico: Humberto Cabelli.

Euclides; Mário e Sá Pinto; Paulista, Santana e Médio; Sobral, Ladislau, Tião, Plácido e Dininho (Vivi).
Técnico: Luiz Vinhaes.

         Em nosso próximo encontro, voltaremos a falar sobre as alegrias de 1933. E vêm muitas mais por aí…

 

Para ler os capítulos anteriores, clique aqui.

 

One Response to CAP. 48: 1933 – COMO PODERÍAMOS ESQUECER (PARTE II)

  1. Marcio,
    você deveria escrever um livro.
    Ninguém nunca contou tão bem a história do Palestra/Palmeiras como você.
    abraço

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