ATENÇÃO, BOLEIRADA: QUEM CAI, DANÇA

HÁ JOGADORES QUE NÃO TÊM VERGONHA DE SER REBAIXADOS, POIS ACREDITAM QUE SUAS CARREIRAS SEGUIRÃO NORMALMENTE, MAS A HISTÓRIA MOSTRA QUE QUASE SEMPRE NÃO É BEM ASSIM…

Já disse inúmeras vezes, e direi outras inúmeras: jogadores de futebol, com raríssimas exceções – e põe “raríssimas” nisso – não estão nem aí para a camisa que vestem. Por qualquer trocado a mais, trocam o clube por outro, até mesmo pelo maior rival, sem ter vergonha e nem sentir respeito pelo torcedor. O que eles gostam, isso sim, é de dinheiro.

Por isso, meu amigo, pode ter certeza: no atual elenco do Palmeiras há vários que, no fundo, não estão muito preocupados com a possibilidade do rebaixamento. E por um motivo simples: acreditam que, de um jeito ou de outro, conseguirão ir embora ao final do ano e deixarão a bucha para aqueles que ficarem e aos demais que forem contratados.

Mas nem sempre é assim. Ou melhor: quase nunca é assim. Um bom exemplo é o grupo de jogadores que rebaixou o Verdão em 2002. Naquele fatídico Campeonato Brasileiro, nada menos do que 30 atletas foram utilizados nas 25 partidas e, destes, apenas 13 permaneceram para a temporada seguinte. Os outros 17, por decisão própria ou da diretoria, largaram o clube na mão, e a esmagadora maioria nunca mais conseguiu destaque em time algum e, em alguns casos, teve ate mesmo de se humilhar em times pra lá de inexpressivos e em países insignificantes no futebol.

Confira os 13 jogadores que caíram com o Verdão mas iniciaram a temporada seguinte no clube: Marcos, Sérgio, Leonardo, Pedro, Adalto, Alceu, Diego Souza, Pedrinho, Zinho, Anselmo, Vágner Love, Muñoz e Dodô.

SÉRGIO CHORA APÓS A DERROTA PARA O VTÓRIA/BA E A QUEDA PARA A SÉRIE B DE 2003: ESTE RESPEITAVA A CAMISA DO PALMEIRAS.

Agora, veja quem puxou o carro e o destino que teve:

ARCE – Saiu dias depois do rebaixamento para jogar no Gamba Ozaka japonês. Fracassou, voltou ao Paraguai para defender o Libertad e também não deu certo. Encerrou a carreira no desconhecido Doze de Octubre de seu país.

ALEXANDRE – Apontado como maior culpado devido aos erros fatais que cometeu nos últimos jogos, perambulou por Goiás, Ponte Preta, Catar. Parou por três anos e voltou a jogar no Villa Nova/MG.

THIAGO MATIAS – Depois do Verdão, só jogou em time pequeno: Londrina, Ponte, Morellia do México, Santo André, Itumbiara. Hoje, está no Ipatinga/MG.

LEONARDO MOURA – Um dos poucos que teve sucesso inquestionável. Depois do Palmeiras, jogou no São Paulo e no Fluminense sem destaque, é verdade, também foi mal no Braga/POR mas, desde 2005, é titular absoluto no Flamengo.

ITAMAR – Saiu da Academia e ficou 5 anos na Coréia do Sul. Depois, passou por Jaguares e Tigres mexicano e também no Catar, além de uma rápida e apagadíssima passagem pelo São Paulo/SP. Contratado neste ano pelo Flamengo, só disputou dois jogos e foi emprestado ao Ceará.

CÉSAR – Zagueiro de futebol refinado, foi para o Corinthians e, como reserva, faturou o Paulistão de 2003. Mas depois só afundou: Tenerife espanhol, Atlético/PR, Fortaleza, Ponte, Mirassol e até no Mixto/MT, onde encerrou a carreira.

MARCO AURÉLIO – Com exceção de breve passagem pelo Fluminense, também só vestiu camisa de time pequeno: São Caetano, Cruzeiro gaúcho, China, Brasiliense, Itumbiara e até um tal de Audax/SP.

JEOVÂNIO – Passou pelo Grêmio/RS sem deixar muita saudade. Depois, Figueirense, Santa Cruz/PE e Guaratinguetá.

FABIANO ELLER – Este se salvou. Não brilhou no Santos, mas depois mudou de posição – trocou a meia pela zaga – e se encontrou no Inter/RS, onde faturou importantes títulos. Mas hoje está no pequeno Brasil de Pelotas/RS.

LOPES – Um dos maiores pecados de toda a história do futebol brasileiro. Craque dentro de campo, uma ameba fora dele. Teve a chance de recomeçar em grandes equipes, mas fracassou em todas: Flamengo, Fluminense, Santos, Cruzeiro. Passou pelo Japão, pelo Volta Redonda/RJ e seu último clube foi o Metropolitano de Blumenau/SC, pelo qual fez apenas um jogo e foi dispensado.

RUBENS CARDOSO – Este até que não se deu tão mal. Jogou um bom tempo no Atlético/MG e passou também pelo Bahia. Mas depois defendeu Sertãozinho e hoje está no minúsculo Feirense, de Portugal.

PAULO ASSUNÇÃO – Mesmo sem alarde e sem aparecer, trilhou seu caminho. Vendido pelo Palmeiras ao Nacional da Ilha da Madeira/POR, jogou também na Grécia e depois brilhou tanto no Porto/POR quanto no Atlético de Madrid/ESP. Voltou agora ao Brasil é reserva no São Paulo.

FLÁVIO – Meia de razoável qualidade e bom chute de fora da área, foi um dos que mais sofreram. Seu principal clube depois do Verdão foi o… Rio Branco de Americana! Mas jogou também no Barueri, no Arapongas/PR, e por aí vai…

JUNINHO – Ponta-de-lança rápido e driblador, não fez nada no Palmeiras. Mas desde que deixou o nosso clube é ídolo no Japão, onde defendeu o Frontale (355 jogos e incríveis 214 gols em oito anos). Nesta temporada foi para o Kashima.

CÉLIO – Apontado por Luxemburgo como o futuro Rivaldo (???!!!), ficou muito longe disso. Afinal, só jogou em perebas: Bragantino, Americana, Ferroviária, Duque de Caxias. Hoje, está no Santa Cruz, mas do RS.

JULIANO – Foi a grande revelação de nossas categorias de base no fim dos anos 90, pois era um centroavante liso e que fazia gols com enorme facilidade. Até passou por equipes de nome, como Coritiba e Flamengo, mas então já havia trocado o comando do ataque pela lateral direita. Jogou também em times pequenos da Europa, como Lecce e Pisa, e hoje está no Novara, da Segunda Divisão italiana.

NENÊ – Trocou o Palmeiras pelo Santos, fez um gol pela Libertadores de 2003 e desandou a falar mal do Verdão, que o mostrara ao mundo da bola. Depois, sumiu no Mallorca, no Alavés e no Celta, todos da Espanha, mas há tempos é ídolo no Paris Saint Germain/FRA. 

6 Responses to ATENÇÃO, BOLEIRADA: QUEM CAI, DANÇA

  1. Sandro Macedo

    neste time que caiu não tinha um jogador chamado Boiadeiro?

    • Márcio Trevisan

      Olá, Sandro.

      Não, meu amigo. Ricardo Boiadeiro era um centroavante que disputou apenas duas partidas pelo Palmeiras, no comecinho de 2002, e foi dispensado por Luxemburgo em seguida.

      Abs.

  2. Márcio,

    Tem jeito desse texto ser entregue para todos os jogadores do elenco?

    • Márcio Trevisan

      Olá, Marco.

      Pode ter certeza de que tudo, absolutamente tudo que é escrito por mim em nosso site chega ao conhecimento da diretoria, da CT e dos jogadores.

      Já tive “n” provas disso.

      Abs.

  3. Concordo com você Márcio, o rebaixamento deixa uma marca indelével nos jogadores responsáveis, mas principalmente no clube e na torcida. Ah… o Lopes… o caso dele se assemelha muito ao do Jobson.

    • Márcio Trevisan

      É verdade, José.

      Conheci bem o Lopes, trabalhei ao lado dele no Palmeiras e asseguro: trata-se de um rapaz com um coração do tamanho do mundo.

      Infelizmente, porém, foi mais uma vítima das drogas e do álcool.

      Abs.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>