CAP. 45: “CIAO, BAMBINI!”

Assédio internacional por craques brasileiros vem de longe. Que o diga o Palestra Itália. 

Após passar em branco em 1928, 1929 e 1930, tendo como melhores resultados apenas três terceiras colocações nos referidos Campeonatos Paulistas, o Palestra Itália esperava que no ano de 1931, que chegou prometendo muitas mudanças para o futebol brasileiro, lhe fosse mais positivo. Mas aqueles eram tempos de mudanças, e os que defendiam a oficialização do profissionalismo no futebol apregoavam que era mais do que iminente a sua chegada ao nosso País. Já os que eram contrários à ideia ou seguiam na luta contra ela ou, então, jogavam a toalha, como fizera o Paulistano, conforme já contamos aqui. 

De uma forma ou de outra, o fato é que o futebol já era profissional não só em países sul-americanos, como a Argentina e o Uruguai, mas também e, principalmente, na Europa. Desde sempre com os olhos muito grandes sobre o talento dos jogadores brasileiros, os clubes do Velho Mundo descobriram em tempo que, pelo menos de forma oficial, os craques tupiniquins jogam apenas por amor à camisa, ou quase isso. Resultado: de uma só vez, vários clubes da Itália enviaram seus representantes para aliciarem os atletas paulistas que tivessem ascendência italiana, já que estes – exatamente como acontece hoje – poderiam ser inscritos como se lá tivessem nascido. 

Embora, de longe, fosse o clube brasileiro com mais filhos e netos de italianos em seu elenco, o Palestra Itália não foi o que mais jogadores perdeu. O problema foram quais os destaques da nossa equipe que abandonaram o clube antes mesmo do fim do primeiro turno do Campeonato Paulista daquele ano: o médio-direito Pepe e o médio-esquerdo Serafini, que foram para a Lazio, e o ponta-direita Ministrinho, contratado pela Juventus de Turim. Ou seja: nada menos do que três das maiores estrelas palestrinas de então.

Como oficialmente não eram profissionais, estes jogadores não tinham contrato assinado com o Verdão. Aliás, só para se ter uma ideia do quão amador era o nosso futebol na época, basta dizer que, em dias de jogos, os atletas de todas as equipes apareciam nos locais das partidas apenas algumas horas antes da disputa, com o detalhe de terem sido convocados através de anúncios em jornais!

Não fossem estas três perdas, certamente o Palestra Itália teria obtido muito mais do que apenas o vice-campeonato paulista de 1931. Disputando rodada a rodada com o São Paulo da Floresta a liderança da competição, o alviverde terminou o Primeiro Turno um ponto à frente (23 a 22), mas no meio do returno foi goleado pelo adversário por 4 a 0 (jogo que marcou, também, a despedida do centroavante Heitor) e permitiu ser alcançado (35 a 35).

Um novo tropeço logo na rodada seguinte (derrota por 2 a0 para o Santos) aliado a uma vitória são-paulina em Campinas/SP sobre o Guarani pelo mesmo placar colocaram o time “florestal” dois pontos à nossa frente, vantagem que soube manter até o fim do torneio.  

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