LEMBROU ATÉ 1979…

Palmeiras vive noite mágica, goleia Flamengo/RJ no Maracanã e dispara na liderança do Brasileirão

Meus amigos.

Eu tinha apenas 11 anos naquele 9 de dezembro de 1979. Numa abafada tarde de domingo, vi um Palmeiras muito muito jovem, porém muito talentoso e comandado por Telê Santana, humilhar o então todo poderoso Flamengo/RJ em pleno Maracanã, goleando-o por 4 a 1 e se classificando às semifinais do Campeonato Brasileiro. Diante de tudo o que havia se criado em torno daquela partida, de toda a arrogância do presidente flamenguista Márcio Braga (que dissera já ter reservado um hotel em Porto Alegre/RS para o primeiro jogo contra o Internacional/RS) e do técnico Cláudio Coutinho (que afirmara ser nosso time muito jovem e que, por isso, certamente iria tremer diante da maior torcida do mundo), confesso que, para mim, aquela vitória valeu como se fosse o título da competição.

Hoje, passados mais de 46 anos daquela inesquecível goleada, eu me lembrei daquele menino que, à época, ainda tinha uma vasta cabeleira loira e que viu aquele jogo com uma já desbotada e um tanto quanto apertada camisa verde. Claro que a partida deste sábado não foi decisiva, não classificou e nem eliminou ninguém e não garantiu e nem tirou o título de nenhuma das equipes. Mas é inegável que, diante de quase 70 mil flamenguistas, aplicar 3 a 0 sobre o adversário que mais nos tem enfrentado e muitas vezes superado acaba por ter, sim, um sabor de pré-título. Afinal, mesmo faltando mais de um turno para o fim da competição, resultados como este quase sempre chancelam a conquista das faixas.

Todos nós sabemos, é evidente, que parte dos méritos que o Verdão teve se devem ao erro cometido por Carrascal. Ainda que sem intenção, o colombiano acertou o peito e parte do rosto de Murilo com um pontapé e corretamente foi expulso logo aos 20 minutos do primeiro tempo. E mais: mesmo com um jogador a menos, coube ao Flamengo/RJ manter as rédeas da partida e continuar obrigando Carlos Miguel a praticar importantíssimas defesas. Este detalhe, por si só, mostra o quão forte é o time dos caras e explica o sucesso que vem tendo nos últimos anos.

Mas ninguém, nem mesmo aqueles que sempre objetivam diminuir a força do Palmeiras, podem se limitar a este fato para explicar uma vitória gigantesca. Nossa equipe, mesmo quando esteve dominada, mostrou personalidade, resiliência e coragem para buscar os gols que conseguiu. Outro detalhe é que, diferentemente do que vem acontecendo nesta temporada, conseguimos não somente estes três importantíssimos pontos mas também os justificamos com um futebol mais condizente com a qualidade do nosso elenco.

Ainda é cedo, muito cedo, para afirmarmos que o trideca enfim nos chegará ao fim deste ano. Mas é inegável que a injeção de confiança obtida nesta noite tende a manter a equipe viva e muito forte para atingir este objetivo, pois faz com que o respeito e até mesmo o temor de todos os outros 19 adversários aumentem ainda mais.

Que vivamos, pois, em 2026 o mesmo que vivemos em 1979.

 

CARLOS MIGUEL – EXCELENTE
NOTA 8

GIAY – ÓTIMO
NOTA 7,5

GUSTAVO GÓMEZ – ÓTIMO
NOTA 7

MURILO – ÓTIMO
NOTA 7

ARTHUR – BOM
NOTA 6

EMI MARTÍNEZ – MUITO BOM
NOTA 6,5

MARLON FREITAS – EXCELENTE
NOTA 8

ANDREAS PEREIRA – BOM
NOTA 6

ALLAN – 8,5
EXCELENTE

FLACO LÓPEZ – EXCELENTE
NOTA 8

JHON ARIAS – BOM
NOTA 6

ABEL FERREIRA – ÓTIMO
NOTA 7,5

PAULINHO – MUITO BOM
NOTA 6,5

LUCAS EVANGELISTA – SEM AVALIAÇÃO
SEM NOTA

MAURÍCIO – BOM
NOTA 6

JEFTÉ – BOM
NOTA 6

FELIPE ÂNDERSON – BOM
NOTA 6

IMAGENS: CÉSAR GRECO / AG. PALMEIRAS

4 Responses to LEMBROU ATÉ 1979…

  1. Boa tarde, Márcio.

    Eu não sei o que foi mais gostoso: o amasso que o Verdão deu no Flamengo/RJ ou a incredulidade da grande maioria dos jornalistas e mídia com esse amasso. Não sei se você teve a oportunidade de acompanhar o pós-jogo, mas em todas as emissoras se viam repórteres e comentaristas abismados com o que tinha acabado de acontecer, algo do tipo “não é possível que o Flamengo perdeu!”.

    O que você escreveu acima é a mais absoluta verdade (“Outro detalhe é que, diferentemente do que vem acontecendo nesta temporada, conseguimos não somente estes três importantíssimos pontos mas também os justificamos com um futebol mais condizente com a qualidade do nosso elenco”). Jogamos um futebol extremamente competitivo em todas as posições e nossos jogadores foram guerreiros. Faço um destaque especial a Allan, que jogou uma das melhores partidas pelo Palmeiras.

    Posso estar enganado, mas creio que a cobrança realizada pela grande maioria dos torcedores após o pífio futebol apresentado contra o Cerro Porteño fez com que Abel, comissão e jogadores dessem a vida para sair do Maracanã com pelo menos um empate. Todos sabiam que uma derrota tornaria o clima no Verdão insustentável.

    Por fim, se você se lembrou do seu jogo em 1979, eu me lembrei do maracanazo de 1950. Claro que eu não estava lá, mas imagino o silêncio que imperou no estádio naquele fatídico dia. Tivemos um Verdão uruguaio calando a mulambada carioca.

    Um abraço.

    Valter

    • Márcio Trevisan

      Valter, salve!

      Vc está correto: após o pífio futebol do meio de semana, todos no clube sabiam que uma derrota, mesmo que por um placar mínimo, para o único time que efetivamente disputa o título brasileiro conosco resultaria numa crise das brabas. Então, todos deram a vida para obterem um bom resultado, que acabou por se tornar um excelente resultado.

      Em relação à surpresa da mídia, entendo seu ponto de vista e concordo com ele. Mas, sejamos sinceros: vc esperava uma vitória no Maracanã? Vc esperava que ela viesse por goleada? Então, eu também não. E meus colegas jornalistas também não.

      Abs.

  2. roberto alfano

    Boa tarde caro Trevisan, muito boa a sua comparação nesta importante Vitória do Palmeiras em um Maracanã Lotado, mais temos que parabenizar a nossa Equipe pelo empenho e não desperdiçar os Gols na qual marcamos.

    Força Verdão.

    Abraço.

    • Márcio Trevisan

      Olá, Alfano.

      Mais do que importante, esta foi também uma vitória histórica, pois foi apenas a terceira vez que conseguimos com um placar de três gols de diferença no Maracanã (as outras foram em 1965, pleo Rio-São Paulo, e como citei em 1979, pelo Brasileirão – ambas por 4 a 1).

      Já quanto a desperdiçarmos chances, acho que este problema não se resolverá tão facilmente. É que falta qualidade, meu amigo.

      Abs.

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