MUITO VOLANTE E POUCO FUTEBOL

Abel inventa no meio-campo e quase faz Palmeiras perder pra time fraquinho, fraquinho

Meus amigos.

Creio que todos já ouviram a expressão “tentativa e erro”, muito comum nos dias atuais. Em síntese e em definição bastante simplória, trata-se de buscar soluções ou tomar decisões que não se sabe, ao certo, se realmente resultarão naquilo a que se objetiva. Ou, em linguagem mais popular: vamos fazer assim pra ver se fica assado.

Foi exatamente isso o que Abel Ferreira pensou ao mudar o esquema tático para o clássico com o Santos/SP neste sábado à noite. Sabe-se lá por qual motivo, resolveu sacar de uma só vez os dois jogadores mais agudos do time – Allan e Ramón Sosa – e colocar em seus lugares Maurício e Lucas Evangelista. Com isso, povoou nosso meio-campo com três volantes, adiantou Andreas Pereira para a armação e deixou Flaco López como o único atacante de fato em campo. Desta forma, o Palmeiras atuou durante todo o primeiro tempo quase que em um esquema 4-5-1, já que os “alas” Arthur e Khellven (meu Deus, como esse cara é ruim de bola!) pouco ou quase nada apoiaram.

Tal esquematização tática seria, digamos, aceitável, se estivéssemos jogando fora de casa e diante uma equipe que nos fosse indiscutivelmente superior, mas atuar assim na cara da nossa torcida e contra um adversário fraquinho de dar dó é inexplicável e inaceitável, sobretudo para um treinador que comanda a equipe há mais de cinco anos ininterruptos e já deu “n” provas de que tem talento de sobra para estar onde está e ganhar o que já ganhou.

O erro cometido pelo nosso portuga nos custou a perda de dois pontos que eu já considerava ganhos. Mesmo limitado, o Santos/SP rapidamente percebeu todas as lacunas que lhe foram oferecidas e, corajosamente (e aqui vai um elogio à postura da equipe de Cuca), partiu pra cima, abriu o placar (com mais um gol de bola rasteira que Carlos Miguel aceitou) e só não ampliou a vantagem ainda na etapa inicial porque lhe faltou qualidade técnica.

Foi preciso que, aos poucos e em minha opinião muito vagarosamente, o auxiliar João Martins fosse promovendo alterações para que voltássemos ao jogo. As entradas de Allan e Luís Pacheco melhoraram apenas razoavelmente o Verdão, mas ainda assim só não resultaram na virada pela falta de sorte da bola ter tocado não mão de Arias já nos acréscimos da partida.

De qualquer forma, prezado palmeirense, campeonatos longos como o Brasileirão suscitam situações como esta. Da mesma forma que eu previra a soma de três pontos em casa diante do Peixe, também previra a soma de apenas um na Fonte Nova, diante do Bahia/BA. Ou seja: aconteceu o inverso, e assim tudo continua dentro daquilo que se espera de uma equipe como a nossa.

Precisamos apenas de umas invenções a menos e de um futebol a mais.     

 

 

CARLOS MIGUEL – REGULAR
NOTA 5

KHELLVEN – MUITO RUIM
NOTA 4

GUSTAVO GÓMEZ – RUIM
NOTA 4,5 

MURILO – SATISFATÓRIO
NOTA 5,5

ARTHUR – REGULAR
NOTA 5 

MARLON FREITAS – MUITO BOM
NOTA 6,5 

LUCAS EVANGELISTA – RUIM
NOTA 4,5 

ANDREAS PEREIRA – RUIM
NOTA 4,5 

MAURÍCIO – MUITO RUIM
NOTA 4 

JHON ARIAS – RUIM
NOTA 4,5 

FLACO LÓPEZ – BOM
NOTA 6

JOÃO MARTINS – REGULAR
NOTA 5 

ALLAN – BOM
NOTA 6
 

RAMÓN SOSA – RUIM
NOTA 4,5 

PAULINHO – REGULAR
NOTA 5 

LUÍS PACHECO – SATISFATÓRIO
NOTA 5,5

EMI MARTÍNEZ – REGULAR
NOTA 5

IMAGENS: CÉSAR GRECO / AG. PALMEIRAS

4 Responses to MUITO VOLANTE E POUCO FUTEBOL

  1. Boa noite, Márcio.

    As notas vermelhas que você distribuiu acima refletem bem o que foi o jogo de ontem e o que tem sido os jogos mais recentes. Estamos mal e não temos jogado minimamente um futebol condizente com a posição que ocupamos na tabela.

    Não quero ser repetitivo em meus comentários, mas vou dizer um ponto muito importante que diferencia o nosso time daquele que briga diretamente conosco por todos os títulos que disputamos.

    É normal os jogadores oscilarem no rendimento especialmente em campeonatos longos como o Brasileirão, e que se torna ainda mais complicado quando uma equipe disputa múltiplas competições. O grande problema do Palmeiras é que o cobertor do nosso elenco é curto e quando nossas principais peças entram nessa fase de oscilação não temos ninguém à altura para compensar o momento.

    O time lá do Rio de Janeiro tem peças que não só substituem muito bem quem está mal como fazem com que o coletivo permaneça em alto rendimento. Isso os torna um concorrente indigesto, pois o nível técnico de alguns dos seus reservas é superior a alguns titulares do Verdão.

    A rodada só não foi pior para o Verdão porque o Vasco/RJ foi valente e arrancou um empate quando perdia por dois gols de diferença. Precisamos continuar a manter a diferença ou, na melhor das hipóteses, aumentá-la. Do contrário, nosso único concorrente nos dará, sim, trabalho nestas jornadas.

    Um abraço.

    Valter

    • Márcio Trevisan

      Valter, salve!

      Como sempre, você foi perfeito ao comparar o nosso time e aquele outro time. Só que isso não vem de agora – já faz um tempo.

      Para ser sincero, mesmo quando vencemos a Libertadores e a Supercopa sobre ele nosso time e nosso elenco eram inferiores – e continua assim.

      Em relação a seus cálculos, a verdade é uma só: a menos que surpresas gigantescas aconteçam, dificilmente chegaremos ao jogo no Maracanã com uma distância de seis pontos, como hoje – até porque eles têm um jogo a menos (contra o Mirassol, no Rio), cuja data a CBF ainda não definiu quando acontecerá.

      De qualquer forma, seja lá em que situação estiver o campeonato no dia 23 de maio, sei que não poderemos perder de jeito nenhum.

      Abs.

      P.S.: O Vasco buscou o empate, o São Paulo cedeu o empate e o Fluminense conseguiu perder para o Inter. O tal do português bate um bumbo que não é pouco – rs…

  2. roberto alfano

    Bom dia caro Trevisan, muito boa sua crônica, me desculpe muita invenção e pouco Futebol e mais um desrespeito aos mais de 40 mil Torcedores pra ver aquilo em campo.

    Agora quero ver na próxima terça-feira se vão jogar sério!!!

    Abraço.

    • Márcio Trevisan

      Olá, Alfano.

      Obrigado por ter gostado do meu texto.

      Cara, vou ser sincero: na terça, ou a gente ou a gente… ganha. Qualquer outro resultado nos deixará na obrigação de vencer as duas últimas partidas desta fase da Libertadores não para sermos os primeiros, mas para sermos pelo menos o segundo colocado.

      Abs.

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