CAP. 82 – A PRIMEIRA – E TRISTE – VEZ NA EUROPA

Após ficar de fora da luta pelo título do Campeonato Paulista de 1948 – e, pior, terminá-lo numa pra lá de humilde 6ª colocação, algo inimaginável para uma equipe que, afinal de contas, ostentava o título de campeã estadual do ano anterior –, o Palmeiras melhorou na temporada seguinte, quando chegou ao vice-campeonato regional. 

O internauta pode estranhar esta quase comemoração de uma quase conquista, mas no passado era comum ao clube que obtivesse um segundo lugar num torneio fazer festa por isso. Aliás, acredite, se quiser, mas até mesmo os presidentes dos clubes integrantes do chamado “Trio-de-Ferro”, apesar de toda a rivalidade, tinham por hábito e boa educação enviar telegramas aos mandatários adversários quando estes se sagravam campeões ou mesmo vices. 

Mas o ano de 1949 ficaria marcado em nossa história por uma outra razão. Empresários responsáveis pela vinda do Malmöe, time sueco que o Verdão goleou por5 a0, a São Paulo/SP, convidaram o Palmeiras para participar das festividades em comemoração ao Jubileu de Prata do Barcelona/ESP. Desta forma, 35 anos após a sua fundação, pela primeira vez nosso time se apresentaria no continente europeu. 

Enorme expectativa se criou em torno desta míni-excursão, à qual o time levou um número limitado de jogadores, pois a FPF não aceitou adiar a partida contra a Portuguesa Desp./SP, válida pelo Paulistão, e que aconteceria no mesmo período. Na Europa, o alviverde faria três jogos – dois pela festa do Barça e mais um, amistoso, contra o seu grande rival, o Real Madrid. 

Estádio Les Courts, o primeiro do Barcelona/ESP e palco da estreia do Palmeiras na Europa

No primeiro encontro, o Verdão arrancou um empate por 2 a 2 diante do já poderoso time catalão, e foram estes os primeiros palmeirenses a defender nossa camisa no chamado “Velho Mundo”: Lourenço; Turcão e Sarno; Mexicano, Túlio e Waldemar Fiúme; Harry, Lima, Bovio, Jair Rosa Pinto e Canhotinho. O ponta-esquerda e também o “Garoto de Ouro” marcaram nossos gols. 

Um dado curioso deste jogo é que o vencíamos até os 40 minutos do segundo tempo, mas levamos o empate com um gol contra marcado pelo centroavante Bovio – justamente o grande artilheiro que, neste estranho quesito, seria igualado por Oséas muitos anos mais tarde. 

A segunda partida, pelo menos na teoria, seria mais simples, pois o adversário era o desconhecido time dinamarquês do Copenhagen Boldklub. Pois o contrário se deu: embora ficássemos duas vezes à frente do placar, não só permitimos ambos os empates mas também uma grande virada, perdendo o jogo por 4 a 3. Além dos 11 titulares da estreia, participaram deste amistoso também o goleiro Oswaldo e o zagueiro Agripino. 

Após virem a equipe reserva levar de 4 a 1 da Lusa em pleno Parque Antarctica, os titulares se prepararam para, quatro dias mais tarde, disputar a última partida do giro. E, mais uma vez, não fomos nada bem: tomamos de 4 a 2 do clube madrilenho e deixamos impressão de que o futebol brasileiro não andava lá muito bem das pernas. O único atleta que participou deste amistoso e que ainda não havia jogado foi o comandante de ataque Cabeção. 

Coincidentemente ou não, o Palmeiras demoraria quase 14 anos para voltar a jogar em solo europeu.

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