CAP. 54 – MAIS UM TÍTULO PAULISTA. E COM NOVO REGULAMENTO.

Em nosso mais recente encontro, prometi que a partir deste capítulo começaríamos a falar sobre a II Guerra Mundial. De fato, em “Nossa História” chegamos ao ano de 1936, quando o conflito já era dado como quase certo por todos.

Contudo, as primeiras batalhas e o ponto inicial deste que foi um dos mais importantes fatos de toda a história da humanidade só iriam eclodir um pouco mais tarde, em setembro de 1939. Desta forma, deixaremos para tratar mais profundamente do assunto quando de fato chegar a hora, o que nos possibilitará voltarmos ao tema que mais gostamos: o futebol.

Niginho

Aliás, ao contrário do que acontecera em 1935 (e que recordamos no capítulo anterior), no ano seguinte o Palestra Itália voltou a dar as cartas em termos de Campeonato Paulista. A competição, por sinal, apresentou uma importante novidade: durante 33 anos, o sistema de disputa do Paulistão foi muito simples – todas as equipes jogavam entre si, em dois turnos, e no final sagrava-se campeã aquela que mais pontos somasse. No máximo se disputavam uma ou duas partidas para se conhecer o vencedor, mas isso somente quando dois times terminaram empatados no primeiro lugar.

Apesar de muito justo e de premiar o clube que melhor jogasse durante toda a competição, este regulamento carregava um grave problema: por volta da metade do segundo turno, quase todos os clubes já estavam fora da disputa, que se limitava a dois ou, no máximo, três times. Isso ocasionava um desinteresse geral por parte de uma significativa parcela da torcida, que deixava de comparecer aos jogos que, para ela, nada mais valiam. Por consequência, muitas associações passavam a ter prejuízo e, num futebol então já profissional, isso era terrível.

A solução encontrada pela FPF (então também chamada de LPF – Liga Paulista de Futebol) foi inaugurar uma nova fórmula de disputa. Decidiu-se, assim, que o Campeonato Paulista de 1936 seria jogado em dois turnos, como de praxe, mas que cada um deles teria o seu campeão. Ambos, então, decidiriam o título numa melhor de quatro pontos. Desta forma, pouco importaria a uma equipe perder todos os seus jogos no primeiro turno, desde que no segundo se recuperasse, pois que os pontos, ao final da primeira etapa, seriam zerados e todos os clubes iniciariam o returno nas mesmas condições.

Luizinho Mesquita

Foi um sucesso. A presença de torcedores aos estádios aumentou consideravelmente, o que pôde ser notado desde a primeira rodada. Nela, disputada em 26 de abril daquele ano, o Corinthians nos venceu, no Parque São Jorge, por2 a 1, colocando desde o início muito fogo naquela disputa. O nosso maior rival manteve a boa fase durante o turno inicial daquele Paulistão e, após dez jogos, terminou na primeira colocação, com 20 pontos. O Palestra veio logo atrás, com 16.

Garantidos na final por antecipação, os alvinegros relaxaram no segundo turno, muito embora uma nova conquista lhes assegurasse a conquista do título sem a necessidade de jogos finais. Disso souberam muito bem se aproveitar os palestrinos que, com uma campanha praticamente perfeita – ganharam sete e empataram três jogos, terminando invictos o returno –, faturaram a segunda etapa do torneio e foram para a decisão contra os já arqui-inimigos.

Acontece que nosso adversário estava mal das pernas e nem em sonho era o mesmo time do primeiro turno. A prova disso foi a vexatória 8ª colocação em que ficara no returno, no qual perdeu cinco dos dez jogos que disputou. Já o Palestra Itália estava embaladíssimo pela conquista e pronto para vestir mais uma faixa de campeão.

Por problemas no calendário, o torneio invadiu o ano seguinte. Por isso, as finais só foram ser disputadas em abril e maio de 1937. No primeiro jogo, disputado em 25/04, no Parque Antártica, ganhamos por 1 a 0, gol marcado as 31 minutos do segundo tempo pelo atacante Niginho. O gol foi muito contestado pelos corintianos, que alegavam ter sofrido falta o goleiro José. A confusão foi tanta que nosso adversário, preferindo interromper a partida, fugiu de campo. O árbitro Edgard da Silva Marques não teve alternativa senão encerrar o confronto antes do tempo regulamentar.

Moacyr

Como o resultado fora mantido, a fim de que o Corinthians fosse punido pelo seu gesto antidesportivo, nosso craques estavam a apenas mais dois pontos, ou seja, a mais uma vitória da conquista do campeonato. No dia 2 de maio, a Fazendinha, como já era conhecido o campo do Parque São Jorge, ficou lotada, mas o jogo foi duro e acabou empatado por0 a0, o que obrigou a realização de uma terceira partida.

Por ter feito melhor campanha – ganhou, somados os dois turnos, 33 pontos contra apenas 29 do rival -, ao Palestra Itália coube o direito de realizar o decisivo encontro em seu campo. Assim, uma semana mais tarde, em 9 de maio de 1937, os palestrinos entraram em campo com a vantagem do empate, pois que somavam três pontos contra apenas um do Corinthians. A este, a única solução seria ganhar aquele jogo para poder propiciar a realização de uma quarta (!!!) partida decisiva.

Mas o fato de poder empatar em nada diminuiu os ânimos de nossos craques. Mal começou o jogo e Luizinho Mesquita, logo no primeiro minuto, fez explodir nossa torcida. Impossível em campo, o Palestra ampliou já aos 10 minutos, com Moacyr. Abobados pela força adversária, os corintianos só conseguiram diminuir no segundo tempo, com Filó marcando aos 16. Mas a vitória e o título já estavam garantidos, e quando o árbitro Antônio Sotero de Mendonça apitou o fim do jogo mais uma vez São Paulo foi palco de mais uma grande festa à italiana.

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